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domingo, 11 de março de 2012

OS PLÁGIOS DE ELLEN WHITE parte 1

Ellen G.White e o Plágio
           O que é preferível: uma doce mentira ou uma amarga verdade? 
 
 P. Hottman


 
Quem não se deixa vencer pela verdade divina será vencido pelo engano.

 
Agostinho, Filósofo e Bispo da Igreja em Hipona (354-430)

 

Calar por  amor  ou  falar  por  causa  da  verdade?

 
Dr John Charles Ryle, Bispo Anglicano de Liverpool (1816-1900)

 

Você pode enganar todo mundo durante um tempo.
Você pode enganar algumas pessoas durante todo o tempo. 
Mas você nunca poderá enganar todo mundo durante todo o tempo.

 
Winston Churchill (1874-1965)

 

O que é preferível: uma doce mentira ou uma amarga verdade? 

 
Walter Rea, Pastor e Pesquisador Adventista (1982)

 


 
Ellen G. White e o Plágio

 

Estudo dividido em três partes

 

Introdução

Parte I
Havia suspeitas no século XIX (dezenove) de que Ellen G. White houvesse praticado Plágio?
Os escritos de Ellen G. White eram fruto de seus sonhos e visões? 
Ellen G. White praticou Plágio?        
 
Parte II
Os líderes da Igreja tinham conhecimento do Plágio em Ellen G. White?  
Grande Conflito é fruto de Plágio?           
Ellen G. White também copiou para compor seus outros livros e artigos?   
Há como defender Ellen G. White nessa questão do Plágio?          

 
Parte III
Outros escreveram por ela ou a influenciaram diretamente?            
Ellen G. White ou White Lie?           
Histórico da questão do Plágio nos escritos de Ellen G. White       

 


Pode parecer surpreendente para a maioria dos adventistas, mas desde os primeiros livros sobre saúde (década de 1860) e durante várias décadas do século passado (século XX), Ellen G. White foi acusada de haver escrito seus livros a partir de trechos, ideias e textos de outros autores, sem atribuir-lhes crédito (não mencionava as fontes utilizadas). Em resposta a essa suspeita, a própria Ellen G. White, os dirigentes da Igreja e os responsáveis diretos por cuidar dos escritos dela (Depositários do Patrimônio White – White State) entraram em defesa de Ellen G. White e negaram qualquer possibilidade de que ela houvesse agido dessa forma. Essas negativas oficiais duraram desde a época em que ela ainda vivia até o ano de 1980.

 
 I.            Muito conhecido da administração geral da Igreja Adventista e um dos encarregados de cuidar dos escritos de Ellen G. White após a morte dela, Arthur White destacava em suas afirmações a originalidade da produção de sua avó: “A sra. White não foi influenciada pelos que estavam perto dela, nem seus escritos foram manipulados. Suas mensagens não se basearam nas idéias dos que estavam perto dela nem em informação que outros pudessem lhe haver proporcionado”. (Arthur L. White, "Who Told Sister White?" Review (21 de Maio de 1959, pt. 2, p. 8-9).

II.            Muitos anos mais tarde, mesmo quando as críticas de um possível plágio eram mais fortes e sabendo que havia uma investigação em curso desenvolvida pelo pr. adventista Walter Rea sobre o assunto, Robert Olson, secretário do Patrimônio White negou enfaticamente que Ellen G. White tivesse copiado de outros. (Robert W. Olson, "Ellen G. White and Her Sources", Adventist Forum, com período de perguntas e respostas, na igreja da Universidade de Loma Linda, janeiro de 1979). 
 

 
Parte I

 


 

Ellen G. White escreveu muito e sobre quase todos os assuntos que poderiam interessar aos adventistas do sétimo dia. Para os adventistas ela é uma fonte autorizada de verdade porque seus escritos vêm diretamente da inspiração proporcionada pelos sonhos e visões que ela recebeu de Deus. Este é um assunto muito sério para os adventistas que têm preservado e divulgado os seus escritos. O que Ellen G. White falou sobre a autoria e a fonte de seus escritos?

 
 I.            Ellen G. White afirmou de seus escritos: "Tenho escrito muitos livros e eles têm tido ampla circulação. Eu sozinha não poderia haver revelado a verdade nestes livrosmas o Senhor tem me dado a ajuda do seu Santo Espírito. Estes livros, dando as instruções que o Senhor tem me dado durante os passados sessenta anos contém luz do céu e suportarão a prova da investigação." (Mensagens Escolhidas, p. 35).

 
II.            Minhas visões foram escritas independentemente de livros e opiniões de outros.” (Manuscrito 27 de 1867). "Nestas cartas que escrevo, nos testemunhos que dou, estou vos apresentando aquilo que o Senhor me tem apresentado. Eu não escrevo nenhum artigo, expressando meramente minhas próprias idéiasEles são o que Deus me tem exposto em visão - os preciosos raios de luz brilhando do trono." “Isto é verdade quanto aos artigos de nossas revistas e aos muitos volumes de meus livros. Tenho sido instruída em harmonia com a Palavra nos preceitos da lei de Deus.” (Testimonies, vol. 5, pág. 67, Mensagens Escolhidas, p. 29 e “Ellen G. White, Mensageira da Igreja Remanescente”, p. 35). "O Espírito Santo tem traçado verdades em meu coração e em minha mente." (Testimonies, Vol. 5, p. 64,67; Carta 90, 1906)

 
III.            Ellen G. White deixa claro que sua fonte de inspiração é o Espírito Santo. "O Espírito Santo é o autor das Escrituras e do Espírito de Profecia.” (Selected Messages, vol 3, p. 30) "Antigamente Deus falava por meio dos profetas e apóstolos. Nestes tempos Ele tem falado por meio dos testemunhos de seu Espírito." (Testimonies, vol 4, p. 148; vol 5, p. 661).

 
 IV.            "Deus estabeleceu em sua Palavra e nos Testemunhos o que Ele tem enviado ao Seu povo." (Battle Creek Letters, p. 74). "Deus tem falado a vocês. Tem estado brilhando luz desde a sua Palavra e desde os Testemunhos, e ambos têm sido desprezados e desatendidos." (Testimonies, Tomo 5, p. 217).

 
V.            "Estes livros contém a verdade clara, honesta e inalterável e certamente devem ser apreciados. As instruções que eles contém não são produção humana." (Carta H-339, 26 de dezembro, 1904) "Em meus livros se afirma a verdade, protegida por um ‘Assim diz o Senhor." – (Carta 90, 1906, citada en Ellen G. White, por Arthur L. White, tomo 4, p. 393)  Numa referência aos ‘testemunhos’: “É Deus, e não um falho mortal, quem fala para salvá-los da ruína.” (Testemunhos Seletos. vol. II, pág. 292).

 
VI.            Sei que a luz que tenho recebido vêm de Deus, nenhum homem me ensinou sobre ela.” (EGW a Bates, 13 de julho de 1847, MS B-3-1847 (Washington: EGW Estate).

 
VII.            Em defesa de sua inspiração, Ellen G. White fez inclusive reivindicação de inspiração verbal mostrando que sua fonte era somente Deus: "Quando minha pena vacila um momento, vêm a minha mente as palavras apropriadas... Quando escrevia estes preciosos livros, se eu titubeava, recebia a palavra mesma que eu queria para expressar a idéia." (3MS, páginas 51, 52).

 

Para alguns adventistas, pelo fato da própria Ellen G. White haver afirmado que sua fonte de inspiração era unicamente seus sonhos e visões, o assunto já estaria encerrado. Como havia a suspeita de plágio, tornou-se necessário realizar uma séria verificação para inocentar ou comprovar o que foi afirmado. Assim, pela seriedade do assunto, e por ser esta uma maneira utilizada pelos críticos para denegrir a imagem e o ministério de Ellen G. White, a organização adventista patrocinou uma cara e grande investigação sobre o assunto. Em se tratando especificamente da produção de livros, o plágio é definido hoje como a apropriação de idéias ou trechos das obras de outros autores sem atribuir-lhes o devido crédito, bem como o camuflar a obra de qualquer outro e atribuir a si a autoria ou paternidade.

 
 I.            Por volta de 1980, o pastor adventista norte-americano Walter Rea afirmava, após haver pesquisado por muitos anos, que Ellen G. White utilizou outras fontes que não as visões e sonhos para escrever os 'testemunhos', chegando mesmo a praticar plágio (utilizando e apropriando-se de escritos e idéias de outros autores sem dar-lhes o devido crédito).

 
II.            Em 1980 um Comitê foi designado para analisar as questões levantadas por Walter Rea (que ainda não haviam sido publicadas como livro). Reunidos na cidade americana de Glendale em janeiro daquele ano, eles concluíram que era muito grande a dependência literária de Ellen G. White e foi decidido encarregar um especialista para conduzir uma investigação mais ampla. Assim a IASD pediu ao Ph.D., Dr. Fred Veltman, chefe do departamento de Religião do Pacific Union College e especialista em análise literária, que fizesse uma investigação sobre as acusações de plágio dirigidas contra Ellen G. White por Walter Rea e outros. Depois de oito anos, sendo seis de pesquisa intensiva e U$ 500.000 de despesas o trabalho foi concluído (1988). (Nota: Dependência Literária: algumas vezes também é utlizada a expresão “empréstimo literário”, mas ambas as expressões traduzem o mesmo problema do ‘plágio’, e empréstimo literário seria ainda um eufemismo, pois ‘empréstimo’ traduz a idéia de futura devolução, o que não era o caso).

 
 III.            Observe a seguir que, para surpresa e espanto da maioria dos adventistas os resultados da investigação do Dr. Fred Veltman revelaram que Ellen G. White praticou Plágio em diversos níveis e graus sem atribuir absolutamente nenhum crédito aos autores dos quais ela se valeu. 

 
 IV.            Tudo indica que por quase dois anos houve dúvidas com relação a publicação da pesquisa conduzida pelo Dr. Veltman. Entretanto (e finalmente), o resultado da investigação do Dr. Fred Veltman foi publicado na revista Ministry de novembro de 1990, a revista oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia para seus pastores nos Estados Unidos. A seguir, alguns relatos tais como aparecem na revista:

 
 "É de suma importância notar que foi Ellen G. White mesma, não seus assistentes literários, quem compôs o conteúdo básico do texto do livro O Desejado de Todas as Nações. Ao fazer isto foi ela quem tomou expressões literárias das obras de outros autores sem lhes dar crédito como suas fontes.”

 
 “Segundo, deve-se reconhecer que Ellen G. White utilizou os escritos de outras pessoas consciente e intencionalmente (...). As semelhanças literárias não são o resultado de acidente ou memória fotográfica.”

 
“Implícita ou explicitamente, Ellen G. White e outros que falaram em nome dela, não admitiram até negaram a dependência literária (plágio) da parte dela." (p. 11).

 
“Eu penso que qualquer tentativa de direcionar este problema (do plágio) deveria incluir uma consideração séria do que está se entendendo pelo tipo de inspiração de Ellen G. White e do papel dela como uma profetisa.”

 
"A maior parte do conteúdo do comentário de Ellen G. White sobre a vida e o ministério de Cristo, O Desejado de Todas as Naçõesé mais derivado do que original (...). Em termos práticos, esta conclusão declara que não se pode reconhecer nos escritos de Ellen G. White sobre a vida de Cristo nenhuma categoria geral de conteúdo ou conjunto [catálogo] de idéias que sejam somente dela." (p. 12).

 
"Devo admitir desde o começo que, na minha opinião, este é o problema mais sério a ser deparado com relação à dependência literária de Ellen G. White. Isto atesta um golpe ao coração de sua honradez, sua integridade, e portanto, sua confiabilidade." (p. 14).

 
A "conclusão" de nº 4 no estudo é: "Ellen G. White empregou um mínimo de 23 fontes de vários tipos de literatura, inclusive ficção, em seus escritos sobre a vida de Cristo". "Na verdade, não há meios de saber quantas fontes [exatamente] estão representadas na obra de Ellen G. White sobre a vida de Cristo". (p. 13).

 
V.            Os comentários do Dr. Fred Veltman procedem de alguém amigo, não de algum oponente da Igreja Adventista do Sétimo Dia. E ele não era só um amigo, como também um atuante obreiro adventista antes e depois da pesquisa. A Revista Ministry indagou a Robert Olson, na ocasião secretário do Patrimônio White, se estava satisfeito com a investigação  levada a cabo por Fred Veltman: "Estou totalmente satisfeito com esse estudo. Ninguém poderia ter feito um melhor trabalho. Ninguém. Ele [Fred Veltman] o fez como o faria uma pessoa neutra, não como um apologista". (op. cit., p. 16). 

 
VI.            Como se viu, sobre a obra "O Desejado de Todas as Nações" também é revelado pelo relatório do Dr. Fred Veltman que 23 diferentes obras foram utilizadas em sua composição, inclusive contos de ficção, como um romance fictício de uma jovem que escrevia sobre Jesus para o seu pai, um rico comerciante judeu que morava no Egito. (Veltman’s Report).

 
VII.            Observe esta conclusão feita pelo Dr. Fred Veltman, que destacamos novamente aqui: "Devo admitir desde o começo que, na minha opinião, este [o plágio e sua negativa] é o problema mais sério a ser deparado com relação à dependência literária de Ellen G. White. Isto atesta um golpe ao coração de sua honradez, sua integridade, e portanto, sua confiabilidade." (Revista Ministry, nov. de 1990, pág. 14).

 


 
Parte II

 

 
Embora negassem oficialmente o plágio nas obras de Ellen G. White, desde a época em que ela vivia, os dirigentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia e alguns assistentes literários tinham conhecimento que Ellen G. White utilizava obras de outros autores para produzir seus escritos. Conforme se pode perceber pela leitura do Relatório da Conferência dos Professores de Bíblia da Associação Geral de 1919, quatro anos após a morte de Ellen G. White, os principais líderes mostraram saber desse fato e alguns demonstravam uma séria preocupação de como fariam para contar aos irmãos da igreja. (Report of Bible Conference, 1919). Quanto desse assunto eles sabiam? Porque esse assunto não chegou às Igrejas?

 
 I.            Arthur Daniells, presidente da Conferência Geral da IASD (na época de Ellen G. White), afirmou em 1919 sobre o livro "Sketches of Life of Paul" de 1883, que Ellen G. White havia copiado tanto material do livro "A Vida e as Epístolas de Paulo", que seus autores Conybeare e Howson, ameaçaram a denominação em função do plágio. Embora o livro estivesse sendo considerado para ser vendido pelos colportores, ele foi tirado de circulação (o livro chegou a ser publicado em 1883 por duas casas publicadoras adventistas, Review and Herald e Pacific Press; Report of Bible Conference, 1919). Anos mais tarde, D. E. Robinson, em defesa de Ellen G. White, afirmou que o pr. A. G. Daniels não deveria se lembrar adequadamente do fato, pois não foram os autores, mas foi ‘a Editora T. Y. Crowell Co. New York’ que entrou em contato com a liderança da denominação adventista e que ‘não houve ameaça de processo’, mas que houve um acordo e o livro foi recolhido. (W. C. White, "Brief Statements Regarding the Writings of Ellen G. White" (St. Helena, Calif., "Elmshaven" Office, August, 1933, reprinted, 1981).

 
II.            O relatório da Conferência de 1919 mostra que muitos dirigentes (aqui incluido Tiago White) sabiam desde o tempo em que EGW ainda vivia, que seus escritos continham erros e que neles havia plágio (empréstimo literário) de outras obras. Embora fosse tomada uma decisão durante a citada reunião para que o relatório ou suas conclusões fossem disponibilizados para toda a liderança da igreja em todos os níveis, infelizmente nada foi feito para esclarecer aos membros da Igreja e nem mesmo aos pastores em formação sobre esses assuntos. Embora pessoas de influência tenham demonstrado claramente essa preocupação (W.W. Prescott, A.G. Daniels e outros) foi feita uma opção pelo silêncio. As 2400 páginas dos Relatórios ficaram em uma sala da Conferência Geral até 1974, ano em que foram ‘descobertas’ pelo administrador da igreja Dr. F. Donald Yost e finalmente disponibilizadas à alta liderança. Depois do advento da internet, e depois de pressões externas, elas foram disponibizadas no site do White State (www.whitestate.org) (Report of Bible Conference, 1919).

 
III.            Em 1980 (antes mesmo da investigação do Dr. Fred Veltman), numa reveladora declaração do presidente da Conferência Geral  da Igreja Adventista, Neal C. Wilson, foi afirmado de que a alta liderança e o White State sempre souberam do plágio. Entretanto, Neal Wilson disse que tinha que admitir que “a quantidade de material que foi tomado ‘emprestado’ era maior do que o que eles sabiam anteriormente." (Neal C. Wilson, "This I Believe about Ellen G. White," Adventist Review, 20 Março de 1980, p. 8-10).

 
IV.            Declaração semelhante foi feita pelo neto da sra. White, Arthur White, pouco antes de sua morte: “É certo que o intenso trabalho de estudo (...) tem revelado um uso mais amplo de outros escritos por parte de Ellen G. White do que era consciente o White State e os dirigentes da Igreja.” (Arthur L. White, "The Prescott Letter to W. C. White [6 de Abril de 1915], Washington: EGW Estate, 18 de janeiro de 1981, p. 4, 7).

 
V.            A srta. Mary Clough, sobrinha de Ellen G. White, que a serviu na função de assistente literária por algum tempo entre 1874 e 1875, ciente de como o trabalho de produção das obras de Ellen G. White era feito, terminou por denunciar a metodologia literária da tia, confessando ao pr. Adventista George B. Starr o seu mal-estar em participar de tais atividades. (George B. Starr, in EGW Estate "Uma declaração concernente ... Fannie Bolton” EGW State DF 445). O depoimento dela ao pr. Starr é confirmado em um documento oficial adventista chamado “The Truth About The White Lie” (Document prepared by the staff of the Ellen G. White State in cooperation with the Biblical Research Institute and the Ministerial Association of the General Conference of SDA, August 1982. Revised January 1999).

 
VI.            A assistente de Ellen G. White, Vesta Farnsworth, numa surpreendente e sincera declaração ao obreiro Guy C. Jorgensen, negou que Ellen G. White tentasse impedir que outros vissem o que ela fazia:  "A acusação de que a irmã White cobria os escritos dela com o seu avental quando um visitante entrava para esconder o fato de que ela não estava copiando algo de algum livro, é verdadeiramente absurda. Não era nenhum segredo que ela copiava passagens selecionadas de livros e periódicos. Mas quando ela estava escrevendo testemunhos e reprovação a ministros mais velhos, ela às vezes desejou que isto não deveria ser do conhecimento de obreiros mais jovens. Isto a levou freqüentemente a cobrir os escritos dela quando as visitas chegavam". (Vesta Farnsworth to Guy C. Jorgensen, 01/12/1921).
 

 

 

O livro “O Grande Conflito” é um dos clássicos da literatura adventista e um dos livros mais admirados de Ellen G. White. Também houve plágio em sua produção?

 
 I.            Em 1980, o Dr. Don McAdams, um erudito adventista, afirmou nas reuniões de Glendale que, “... se cada parágrafo do livro “O Grande Conflito” tivesse adequadamente notas de rodapé indicando as fontes, então todos os parágrafos do livro teriam referências ao pé da página.” McAdams também observou: "Ellen G. White não apenas tomava emprestados parágrafos aqui e ali segundo os encontrava no curso de suas leituras, mas também em realidade seguia os historiadores página após página, deixando fora muito material, mas utilizando sua seqüência, algumas de suas idéias e freqüentemente suas palavras. Nos exemplos que examinei, não encontrei nenhum fato histórico em seus textos que não estivesse nos textos deles.” (McAdams, "E. G. White and the Protestant Historians", p. 231-234, citação geral).

 
II.            Quatro anos após ter negado que Ellen G. White houvesse praticado plágio, o mesmo Robert W. Olson (responsável pelo White State) admitiu que "possivelmente cinquenta  por cento ou mais do material do livro “O Grande Conflito” foi extraído de outras fontes.” (Adventist Review de 23 de fevereiro de 1984). Vale mencionar que H. L. Hastings, autor não adventista, publicou um folheto intitulado “A Grande Controvérsia entre Deus e o Homem”. Anos depois, em 14 de março de 1858, Ellen G. White teve sua famosa visão em Lovett´s Grove sobre “O Grande Conflito”. Quatro dias mais tarde, em 18 de março de 1858, Tiago White publicou uma resenha do livro de H.L. Hastings na Review. Seis meses após a publicação dessa resenha, Ellen G. White publicou sua própria versão da “Grande Controvérsia”. As idéias foram publicadas em “Spiritual Gifts”, vol. I. Mais tarde este material evoluiu para converter-se no livro “O Grande Conflito”. (Review and Herald, 18/03/1858).

 
III.            Sobre a obra "O Grande Conflito", fruto de cópias de outros autores (empréstimo literário ou plágio) conforme declarações de Robert Olson e Don McAdams (eruditos adventistas), Ellen G. White afirmou especificamente: "Enquanto eu preparava o manuscrito do "Grande Conflito" era sempre consciente da presença dos anjos de Deus. E muitas vezesas cenas sobre as quais estava escrevendo se apresentam novamente em visões à noite, de maneira que estavam sempre frescas e vívidas em minha mente." (Carta 56, 1911, O Colportor Evangelista, p. 128).

 
IV.            Ainda sobre a obra “O Grande Conflito”, ao copiar do livro "The History of Protestantism" da autoria do Rev. J.A. Wylie, até mesmo a gravura utilizada no livro citado foi transposta para o "Grande Conflito" sem autorização. ("The History of Protestantism" da autoria do Rev. J.A. Wylie, p. 30, 1876; "The Great Controversy", Original 1886, p. 76-77).Para colocar fim a acusação de uso indevido da imagem, um acordo foi firmado e a organização adventista comprou 1000 exemplares de outra obra da editora Cassel & Company.

 
V.            Em defesa de Ellen G. White e dos editores, a Conferência Geral explica que a matriz foi comprada da Cassell & Company Ltd., e os documentos que comprovam esta compra foram destruidos num incêndio da Pacific Press. Mas a comparação entre as gravuras mostra que a história está mal contada. A gravura que aparece no Grande Conflito parece uma cópia feita em processo rudimentar; quando se comparam as gravuras, vê-se que não têm o mesmo tamanho; apagaram o nome do artista e puseram "Pacific Press Oakland,Cal.". Estes detalhes são importantes, pois se a matriz original tivesse sido comprada, as gravuras teriam o mesmo tamanho, mesma qualidade e o mesmo nome do autor. O que será que aconteceu? (Ennis Meyer, adventistas.ws).

 
VI.            Todas as edições da obra O Grande Conflito anteriores a 1911 são falhas com relação a menção das fontes: autores e livros de onde as ideias, pensamentos e textos foram extraídos.

 


Bem, realmente é surpreendente que ela tenha utilizado tanto material de outros autores para compor “O Desejado de Todas as Nações” e “O Grande Conflito”. Mas será que para escrever suas outras obras e seus artigos ela também utilizou material de outras fontes? 

 
I.            Durante as décadas de 1980 e 1990 as descobertas e revelações sobre o plágio que chegaram aos ouvidos dos adventistas sobre as obras de Ellen G. White evoluiram desde os clássicos da série “Conflito” (Patriarcas e Profetas, Profetas e Reis, O Desejado de todas as Nações, Atos dos Apóstolos, O Grande Conflito) para os livros de saúde, depois para os “Spiritual Gifts”, artigos e até mesmo os “Testemonies”, que alguns julgavam totalmente originais. O estudo de Fred Veltman, embora enfocasse o “Desejado”, confirmou o que outros haviam revelado: dependendo do material utilizado dos escritos de Ellen G. White, o copiado podia chegar a até 90% (Veltman Report, 1990). Mas o Veltman Report aponta uma média geral de 31%  É tanto plágio que nem mesmo o livro Educação, (que depois foi plagiado por um primeiro ministro de uma nação africana) escapou. E neste livro (Educação), atéum dos mais recitados e admirados pensamentos de Ellen G. White, considerado como uma das pérolas da inspiração, é de outro autor:

 
“A maior necessidade do mundo é de homens – homens que não se compram nem se vendam, homens  que sejam verazes e honestos no mais íntimo de seu ser, homens que não temam chamar o pecado pelo verdadeiro nome, homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo, homens que permaneçam ao lado da verdade ainda que caiam os céus.” (Educação, p. 7, publicado em 1903).

 
Este pensamento havia sido publicado na “Review and Herald” na Seção “Seleto” muitos anos antes e estava sem o nome do autor, porque tinha sido retirado de uma fonte desconhecida ou que não era aceitável nomear. ["Recheio" Editorial], Review, Tomo 37, n. 6, janeiro de 1871).

 
II.             Em 1898 Ellen G. White escreveu um artigo que foi publicado na Review and Herald. O artigo dizia assim: “Nas visões da noite, ministros e obreiros pareciam estar em uma reunião onde as lições da Bíblia estavam sendo ministradas. Nós dissemos: ‘Temos o Grande Professor conosco hoje’, e escutamos com grande interesse as suas palavras. Ele disse: “(...)”

 
III.            Após essa introdução, Ellen G. White citou literalmente uma cópia do texto de John Harris, extraido do livro “The Great Teacher” (O Grande Professor) escrito em 1836 e reeditado algumas vezes. Observe que ela atribuiu ao Espírito de Deus o trecho copiado do livro de Harris. Note que ela utilizou até mesmo o título do trabalho de Harris (“O Grande Professor”) dizendo que este tinha sido mencionado na visão. (Manuscrito 27, Extraído de “Ellen G. White-Mensageira da Igreja Remanescente”, p. 35. Da autoria de seu neto Arthur L. White) (John Harris, The Great Teacher (Amherst: T. S. & C. Adams, 1836: Boston: Gould and Lincoln, 1870) p. 14-18: Veja também EGW, Testimonies for the Church, tomo 6, p. 58-60) (Review and Herald de Abril 4, 1899).

 

 Esse assunto torna-se inquietante e desagradável, mas será que é possível defender Ellen G. White ou encontrar as explicações para este procedimento?

 
I.            Vários dos autores dos quais Ellen G. White copiou eram bastante meticulosos em seus escritos e indicavam suas fontes. Um caso de destaque é o de J. N. Andrews, pesquisador e intelectual adventista, do qual ela utilizou considerável material desde muito cedo em sua carreira literária. (Doug Hackleman, Adventist Currents, junho de 1985).

 
II.            Ellen G. White pediu aos outros que iriam citar os seus escritos que fizessem menção dela como autora. Em 30 de janeiro de 1905, David Paulson solicitou a Ellen G. White que permitisse a utilização de seus artigos para a sua revista mensal The Life-boat. Willie White, filho de Ellen G. White, respondeu assim a solicitação em 15 de fevereiro de 1905: “Minha mãe me pediu que diga ao sr. que pode sentir-se livre de selecionar de seus escritos artigos curtos para a ‘The Life-boat’. Você pode fazer resumos destes artigos curtos e de escritos similares, dando o devido crédito em cada caso.” (D. M. C., Life of Ellen G. White, cap. 10). Diante disso é estranha a tentativa de defender Ellen G. White feita por Robinson, de que "ela atuava sem conhecimento dos padrões literários que consideravam o uso dos escritos alheios como condenável ou desleal.” (White and Robinson, "Brief Statements," p. 18).

 
III.            Ellen G. White pediu a seu filho “que não contasse a ninguém” que ela copiava de outros autores. (The Adventist Review, 23 fevereiro, 1984, p. 5 no artigo “Sources of the Great Controversy”).

 
IV.            Para Herbert E. Douglas, a responsabilidade sobre o negar e ocultar o método utilizado por  Ellen G. White ao se valer dos escritos de outros seria da própria sra. White. Citando Robert W. Olson, ex-diretor do Patrimônio Literário White, ele afirma: “’Em minha opinião, ela não queria que seus leitores, concentrando-se no método, fossem distraídos da mensagem. A indevida atenção sobre como escreveu poderia levantar dúvidas desnecessárias a respeito da autoridade do que ela escreveu.” A fala de Robert Olson neste trecho é incrivelmente reveladora. É desconcertante. É como se ele estivesse pedindo a todos para não darmos muita importância ao fato de Ellen G. White se valer do plágio para produzir suas obras, pois isso poderia nos levar a duvidar da autoridade dela como profetisa da Igreja Adventista(Robert W. Olson, "Questions and Problems Pertaining to Mrs. White´s Writings on John Huss," EGW State, 1985, p. 6)

 
V.            Reservadamente em documentos do White State, Robert Olson afirmou: “Também é fato que ela tinha diante de si os livros de onde copiava os trechos e não uma memória fotográfica.” (...) “Estou convencido de que ela tinha diante de si algumas obras enquanto escrevia, no entanto a igreja crê que ela possuía memória fotográfica e inconscientemente utilizava as palavras de outros autores.” (“Mensageira do Senhor”, p. 462; www.whitestate.org; Robert W. Olson, "Questions and Problems Pertaining to Mrs. White´s Writings on John Huss," EGW State, 1985, p. 6).

 
VI.            Uma única vez, numa contradição de suas próprias declarações de sempre escrever o que era inspirado em visões, Ellen G. White admitiu, após ser questionada do ‘porquê’ de suas visões publicadas serem tão semelhantes aos ensinos dos livros de J. C. Jackson sobre saúde, de que, como havia muita "harmonia" de pensamento, ela "copiou" trechos da obra do autor citado. (R&H do dia 08/10/1867).

 
VII.            O que se sabe hoje é que, ao longo de mais de cem anos, várias pessoas chamaram a atenção para a questão do plágio nas obras de Ellen G. White. Canright foi o primeiro a chamar a atenção para esse assunto. Depois William Patterson, Ingemar Linden, Ronald Numbers, Jonathan Butler, Don McAdams, Warren H. Johns, Ron Graybill e outros acrescentaram mais dados à evidência já acumulada de sua dependência literária durante toda a sua vida, de fontes às quais ela não deu o devido crédito. E por muitos anos e décadas, tanto Ellen G. White e os responsáveis pelo Patrimônio White, bem como os administradores da Igreja negaram esse fato, Somente com as críticas levantadas pelo pastor Walter Rea (e depois tornadas públicas com a publicação do livro White Lie) que a organização adventista se viu forçada a investigar oficialmente a questão.

 
VIII.            Herbert E. Douglass, numa tentativa de defender Ellen G. White da acusação de plágio faz a seguinte declaração: "Ellen G. White não copiou por atacado ou sem discriminação. O que selecionou ou não selecionou, e como se alterou o que selecionou ‘revela que ela usou fontes literárias’ para amplificar mais destacadamente ou indicar seus próprios temas transcendentais; ela era o mestre, não o escravo, de suas fontes." E ainda mais, Douglass faz outra defesa estranha de Ellen G. White, ao afirmar que ela tinha “apreço pelos melhores pensamentos alheios para comunicar a clara intenção da mente”. (Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor, p. 461, em inglês). Observe que Douglass, um defensor de Ellen White, está dizendo claramente que ela gostava tanto das melhores ideias dos outros, que ela as tomava para si. É verdade. Ela tomava para si, dizia que tinham vindo de Deus, negava que havia pego dos outros, compunha seus livros e exigia direitos autorais.

 
IX.            “Ellen G. White havia descoberto percepções e fraseologias de outros autores que a ajudavam a explicar melhor os penetrantes pensamentos que ela queria comunicar”. (“Mensageira do Senhor”, p. 252, 253, 450-453, em português).  Robert Olson, que foi por vários anos o diretor do White State também se pôs a defender Ellen G. White: "É fato que Ellen G. White verdadeiramente usou obras de

Um comentário:

  1. Texto sensacional. É indefensável. Parabéns. Cadê o resto dele? Todas as informações dele estão no livro "A Mentira Branca?"

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